Os QR Codes já deixaram de ser “um quadrado no canto”. Em 2026, são cada vez mais parte do packaging moderno, porque ligam a embalagem ao telemóvel, a instruções, a garantia, a conteúdos da marca e até a campanhas. Ao mesmo tempo, o setor do retalho está a preparar a transição para códigos 2D (como QR ou DataMatrix) que podem coexistir com o código de barras tradicional e, em muitos casos, substituí-lo no futuro. Resultado: designers e marcas precisam de fazer algo que parece simples, mas tem várias armadilhas. Colocar o código no sítio certo, no tamanho certo, com a estética certa, sem comprometer leitura.
Este artigo é um guia prático, pensado para quem desenha embalagens e quer evitar problemas de produção e de utilização real.
QR e 2D não são a mesma coisa
mas podem viver no mesmo espaço
Um QR Code é, na prática, um tipo de código 2D. Quando se fala em “códigos 2D” para embalagens, a ideia é ter um código que pode servir vários objetivos: logística, ponto de venda e também conteúdo para o consumidor. O importante aqui não é a teoria, é a consequência para o design: a embalagem vai precisar de espaço para um código legível e de uma pequena indicação que explique porque vale a pena apontar o telemóvel.
O objetivo real do código
começa antes do layout
Antes de desenhar, convém decidir para que serve o código, porque isso muda tudo.
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Se é só marketing, pode estar num sítio discreto e apontar para uma landing page.
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Se é para suporte, pode abrir um manual curto, uma ficha técnica ou um vídeo de montagem.
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Se é para venda e rastreio, pode ter de respeitar regras mais rigorosas de impressão e leitura.
Quando isto não é decidido, acontece o clássico: o código aparece tarde demais, a embalagem já está fechada e o QR vai parar a um canto qualquer, apertado, em cima de textura, e depois ninguém consegue ler.
Onde colocar o QR ou código 2D
O melhor local é aquele onde o consumidor consegue apontar o telemóvel sem esforço e onde o código não sofre com dobras, reflexos ou deformações.
Locais que costumam funcionar bem
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Uma face lateral, perto de informação útil, mas com “área limpa” à volta.
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A parte de trás, em zona de leitura natural, próxima de ingredientes, instruções ou contacto.
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Em caixas, numa área plana que não fique presa em abas ou colagens.
Locais que dão problemas com frequência
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Muito perto de vincos, dobras ou cortes.
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Em zonas de cola ou de sobreposição.
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Em áreas muito curvas, como o ombro de garrafas.
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Em materiais com brilho forte, metalizados ou com verniz total sem janela mate.
Um detalhe simples faz diferença: o código deve estar em zona que permita apontar o telemóvel com alguma estabilidade. Se for uma embalagem pequena e escorregadia, mais vale escolher uma face plana e ligeiramente maior.
Dimensão do QR
O erro mais comum em QR Codes é serem pequenos demais. No ecrã parecem perfeitos. No mundo real falham.
Como referência prática, que costuma funcionar em quase todos os cenários:
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Embalagens pequenas: pelo menos 20 mm de lado
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Embalagens médias: 25 mm a 30 mm
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Embalagens grandes e cartazes de PDV: 30 mm a 40 mm ou mais
Se o material for brilhante, texturado ou curvo, o código deve ser maior. Se houver um logótipo no centro ou personalização, também deve ser maior.
Outro pormenor crítico: deixa sempre um respiro à volta do código. Essa margem limpa melhora muito a leitura e evita que o código “se confunda” com fundos e grafismos.
Contraste e estética
Há uma tentação comum: querer que o QR “fique bonito” ao ponto de o tornar difícil de ler. É possível integrar bem, mas com limites.
O que quase sempre funciona
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Código escuro sobre fundo claro, com área lisa.
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Um pequeno enquadramento com cor neutra, se o fundo for complexo.
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Um posicionamento alinhado à grelha do layout, como se fosse um bloco de conteúdo.
O que aumenta risco de falha
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Inverter cores (claro sobre escuro)
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Usar gradientes ou padrões por baixo
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Colocar em cima de fotografia detalhada
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Fazer o código demasiado fino para “ficar elegante”
A melhor forma de manter estética é tratar o QR como elemento gráfico, mas não como “decoração”. A função vem primeiro.
A frase que faz a pessoa usar
Um QR sem contexto é ruído. Ao lado do código, deve existir uma frase curta que diga o benefício.
Exemplos que resultam
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Ver instruções em 30 segundos
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Registar garantia
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Ver em vídeo
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Confirmar autenticidade
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Receber oferta
Isto parece pequeno, mas muda o comportamento de quem compra. As pessoas só apontam o telemóvel se perceberem que vão ganhar algo útil.
Materiais e acabamentos
Em impressão, há acabamentos que podem arruinar a leitura sem que o designer se aperceba.
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Verniz brilhante total pode criar reflexo e falhar a leitura sob luz de loja.
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Laminação gloss pode “estourar” o contraste em certos ângulos.
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Metalizados e prateados pedem códigos maiores e fundo mate.
Uma solução simples e elegante é criar uma pequena janela mate ou um bloco de fundo liso apenas na zona do código. Isto mantém o design premium e protege a funcionalidade.
Como testar sem complicar
Antes de fechar a embalagem, faz um teste real.
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Exporta a área do código a tamanho real.
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Imprime em papel normal.
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Testa em dois telemóveis diferentes, em duas condições de luz.
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Se falhar ou hesitar, aumenta o tamanho e simplifica o fundo.
Se for uma embalagem cilíndrica, cola a impressão numa garrafa e testa a curvatura. É um teste simples que evita centenas de embalagens com QR impossível.
O setor está a caminhar para códigos 2D mais universais no ponto de venda. Isto significa que, cada vez mais, o “código” na embalagem terá de ser tratado como uma peça técnica do design, tal como um código de barras foi durante anos. Para o designer, a implicação é clara: deixar espaço com intenção, manter legibilidade e criar um sistema que funcione em várias versões da embalagem sem remendos.
QR e códigos 2D podem elevar uma embalagem, desde que sejam tratados como parte do sistema e não como um extra colado no fim. O sítio certo, o tamanho certo, contraste suficiente e um pequeno texto a explicar o benefício são os quatro pilares que fazem um código funcionar sem estragar o design.
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